Passado o carnaval e o frenesi do Oscar, o governo agora volta a se preocupar com a significativa queda na popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O petista enfrenta o pior cenário em seus três mandatos: ele é mais rejeitado, inclusive, do que quando enfrentou o escândalo do mensalão — um dos maiores casos de corrupção da história brasileira. São 24% de aprovação, segundo pesquisa DataFolha divulgada em 14 de fevereiro, contra 28% entre outubro e dezembro de 2005. Nessa última pesquisa, o índice de rejeição foi a 41%.
Diante da insatisfação do eleitorado, Lula pressiona seus ministros pedindo mais “agressividade” para elaborar políticas públicas e tornar aquelas existentes em marcas que poderão ser usadas na campanha de 2026. Analistas políticos apontam que o presidente se afastou de sua base eleitoral — formada principalmente pela população mais carente, por mulheres e nordestinos, e decepcionou a classe média e os setores informais da economia.
Essa tese foi confirmada pela mesma pesquisa DataFolha, que identificou que houve um aumento na rejeição desses setores. Entre os entrevistados que têm renda de até dois salários mínimos, por exemplo, a aprovação caiu de 44% para 29%. Eles representam 51% da amostra populacional do instituto, com margem de erro de três pontos percentuais.
Parte desse derretimento é fruto de uma sucessão de crises políticas e uma evidente lentidão para lidar com a desinformação da direita nas redes sociais. Foi assim com as notícias falsas e a polêmica sobre a taxação do Pix em janeiro, por exemplo, o principal motivo da alta de rejeição, segundo os ouvidos pelo levantamento. Depois que a oposição se aproveitou do vácuo de comunicação — na época saía Paulo Pimenta (PT-RS) e entrava Sidônio Palmeira na Secretaria de Comunicação Social do Governo —, o Executivo voltou atrás na portaria da Receita Federal que gerou toda a crise e deixou vários contribuintes desconfiados.



