A indefinição que hoje concentra os holofotes da política baiana — o posicionamento do prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo de Carvalho, nas eleições de 2026 — começa a provocar reações dentro do próprio grupo político que o acompanha há décadas.
Com relação institucional próxima ao governador Jerônimo Rodrigues (PT) e após convite público para integrar sua base, José Ronaldo (União Brasil) também foi citado recentemente pelo ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil) como possível nome para compor uma chapa majoritária como candidato a vice-governador.
A movimentação colocou o líder feirense no centro de um dilema estratégico: manter-se alinhado ao seu campo político tradicional ou abrir diálogo com o governo estadual, redesenhando seu posicionamento no tabuleiro eleitoral.
Voz histórica do grupo
Um dos primeiros “ronaldistas” a se manifestar foi o consultor empresarial Hamilton Ramos, que há mais de 40 anos coordena campanhas de José Ronaldo. Em declaração, ele avaliou os riscos e as consequências de uma eventual mudança de alinhamento.
Hamilton ponderou que, caso o prefeito deixe o cargo para disputar a vice-governadoria em qualquer das chapas, a sucessão municipal estaria “em boas mãos” com Pablo Roberto. No entanto, ressaltou que a decisão exige cautela extrema.
Segundo ele, caso José Ronaldo aceite ser vice na chapa de Jerônimo Rodrigues, será necessário avaliar qual seria, na prática, o espaço político conquistado. Hamilton levantou dúvidas sobre a divisão de influência em Feira de Santana, especialmente no que diz respeito à relação com o deputado federal Zé Neto (PT), tradicional adversário local do grupo ronaldista.
“Será que ele vai conseguir dividir os cargos? Será que vai manter o mesmo prestígio político na cidade e na região?”, questionou.
Hamilton relatou ainda que tem ouvido de apoiadores que parte da base não acompanharia uma eventual composição com o PT, o que poderia gerar desgaste interno. Para ele, a permanência no mesmo campo político teria a vantagem de garantir o controle sobre indicações estaduais em Feira de Santana e preservar o capital simbólico de fidelidade partidária.
Carreira “na balança”
O tom da manifestação foi de alerta. Para o consultor, a escolha não se resume ao título de vice-governador, mas ao poder real e à capacidade de manter influência política no médio e longo prazo.
“Ele tem que botar na balança qual a vantagem política e o poder que vai ter”, afirmou, advertindo que uma decisão equivocada pode comprometer sua trajetória. “É a carreira política dele que está em jogo.”
Hamilton também evocou uma lembrança do início da trajetória de José Ronaldo na vida pública. Segundo ele, quando foi eleito pela primeira vez, o então jovem político costumava repetir um pedido pessoal: que a vaidade não lhe subisse à cabeça.
“Ele falava muito isso, principalmente aos mais próximos: ‘Meu Deus, não deixe a vaidade subir à minha cabeça’”, relembrou.
Para o veterano articulador, o momento atual exige exatamente essa postura. “Não adianta ter o título de vice-governador de um lado que não vai prosperar”, concluiu.
Ele concluiu a avaliação afirmando que o prefeito pode optar por permanecer onde está, à frente da Prefeitura de Feira de Santana, honrando o compromisso assumido com a população de cumprir integralmente o mandato para o qual foi eleito.


