quarta-feira, 3, junho, 2026

Carros elétrico ainda não emplacaram na Maria Quitéria

 

O maior nicho de compra e venda carros usados do interior nordestino ainda não se rendeu a sedução publicitária dos automóveis elétricos usados. Por enquanto, apenas uma revenda, nas dezenas de lojas da avenida Maria Quitéria, colocou estes veículos à disposição dos clientes. Nos sempre lotados passeios das revendas não foi visto nem um modelo destes automóveis.

As respostas de donos destes estabelecimentos mais parecem uma música de uma nota só: ainda não confiam no produto, que consideram caro. Outros afirmam que estão dispostos a entrar no mercado, mas a oferta de venda ainda é baixa. Para comerciantes, não é o período para imobilizar capital num produto que pode levar tempo maior do que um flex para deixar o pátio sendo guiado por um cliente contente. Ainda não querem apostar no novo.

Quem deseja comprar um destes veículos usados ainda não tem a segurança necessária para fechar o negócio. Teme embarcar numa aventura de retorno difícil ao porto. Na verdade, existem barreiras estruturais, como a falta de pontos para recarregar as baterias e o preço de reposição da principal peça do veículo, que é a sua bateria, que custa quase o mesmo valor de um carro, quando precisar.

Valdir Moreira, da revendedora que tem o nome dele, ainda não teve nenhum elétrico no seu estoque. Prefere apostar nos modelos a combustão. “Os elétricos ainda não são procurados”. A quase inexistente procura não é exclusividade da loja dele. Se os carros novos ainda são uma incógnita para os compradores, mesmo com longos prazos de garantia, os usados geram maior desconfiança.

Nem a locadora Localiza, que tem estoque diversificado de carro usado à venda e grande parte das suas receitas vem das revendas dos veículos da sua frota, apostou muita das suas fichas nos modelos movidos exclusivamente a bateria. A empresa tem um modelo BYD à venda, comprados no ano passado, que estão em São Paulo. Mas, uma vendedora da loja da Maria Quitéria disse que as vendas apenas estão sendo feitas sob encomenda. E que ainda não tinha vendido nenhum.

Como o boom dos elétricos ainda está recente, o maior volume de vendas para este mercado ainda deve demorar dois anos ou mais, caso os donos destes veículos resolvam voltar aos carros movidos a gasolina ou álcool. Os contentes procurarão as concessionárias. Mas Waldir Moreira diz que quem tem dinheiro e vê necessidade de trocar de carro todos os anos não se importa de perder dinheiro neste negócio. Ou os elétricos estão agradando aos seus donos ou eles enfrentam dificuldades, como perda acentuada no valor, quando da negociação.

A G2 Veículos tem quatro unidades da marca BYD no estoque – todos populares, na faixa de R$ 100 mil. É uma referência na Maria Quitéria neste segmento. O dono da empresa, Marcos Antônio, diz que a procura na sua loja está boa e que dentro de mais algum tempo as vendas vão aumentar significativamente. Concorda que, para os consumidores, o carro elétrico, mesmo cada vez mais presentes nas ruas, ainda é uma incógnita. Na opinião dele, as dúvidas serão esclarecidas com o passar dos anos.

Ele disse que é vantajoso comprar um elétrico pelos incentivos fiscais e pela economia na conta ao rodar. Mas reconhece que estes automóveis ainda é quase que exclusivamente para uso urbano ou para viagens curtas, devido às dificuldades para recarregar as baterias devido a falta de locais adequados ao longo das rodovias. Em Feira de Santana existem apenas três locais que oferecem este serviço.

Todos concordam que é o mercado de usados elétricos é coisa de futuro. Principalmente quando os donos dos veículos resolverem troca-lo – e se procurarem as revendas particulares e não as revendedoras oficiais.

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