sexta-feira, 11, setembro, 2026

Caso esquecido pelo TJ-BA, advogada baiana busca justiça após ser dopada e estuprada por advogado

 

Um crime que aconteceu há sete anos segue sem respostas até o presente momento e machuca dolorosamente uma advogada baiana, que relata ter sido dopada e estuprada por um advogado durante uma entrevista de estágio na Bahia. O caso tramita no Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), mas sem movimentações jurídicas há quase quatro anos.

O caso foi relatado por Marcela Macedo, em reportagem exibida nesta terça-feira (1º), no jornal ‘Bahia Meio Dia’, da TV Bahia. Em outubro de 2019, ela ainda era estudante no curso de Direito, quando procurou o advogado Silvio Nei Oliveira da Silva, para atuar na área como estagiária em seu escritório.

A vítima relata ter ingerido uma bebida oferecida pelo acusado, quando começou a passar mal, ficando desacordada.

“Lembro que bebi e depois eu comecei a passar muito mal. Fui ao banheiro, vomitei e voltei para a sala dizendo que estava passando mal, e então apaguei. Quando acordei, ele estava limpando uma parede da sala”, relembrou Marcela.

Caso esquecido pelo TJ-BA, advogada baiana busca justiça após ser dopada e estuprada por advogado

O advogado acusado, Silvio Nei Oliveira da Silva – Foto: Reprodução/Redes sociais

Num primeiro momento, a advogada questionou o que havia acontecido, mas não teve resposta. No segundo apagão, ela conta que só acordou definitivamente no banheiro da própria casa, com marcas roxas no pescoço. Assustada, ela imediatamente entrou em contato com o advogado acusado.

“Perguntei por que meu pescoço estava roxo e ele respondeu: ‘parece que você está com dúvidas sobre o nosso relacionamento de ontem’. Eu entrei em desespero”, contou a advogada durante a reportagem.

A jovem encontrou marcas roxas na região dos seios e percebeu que as partes íntimas estavam doloridas. Ela registrou um Boletim de Ocorrência na delegacia e passou por exame de corpo de delito, com o caso passando a ser investigado pela 23ª Delegacia Territorial (DT) de Lauro de Freitas.

 

Advogado acusado chegou a ser preso, mas responde em liberdade

O advogado chegou a ser preso pouco tempo depois, ainda em outubro de 2019, mas conseguiu liberdade provisória por meio de habeas corpus com determinação do uso de tornozeleira eletrônica. No mês seguinte, em novembro, conseguiu o direito de retirar o equipamento e segue respondendo o processo em liberdade até o presente momento. Apesar da acusação, ele nega o estupro.

Em julho de 2020, o caso foi acolhido pela Justiça, entretanto, a última audiência do caso ocorreu em 3 de novembro de 2022. Na ocasião, a juíza responsável determinou a realização de um teste de DNA, após diversas tentativas. E foi comprovada a compatibilidade genética entre o acusado e o material recolhido no exame de corpo de delito da vítima.

Mesmo assim, Marcela Macedo apontou manobras da defesa do advogado para atrapalhar o andamento do caso, que segue em segredo de Justiça. O TJ-BA e a Ordem dos Advogados do Brasil – seção Bahia (OAB-BA) não quiseram comentar sobre o assunto.

A produção da TV Bahia tentou contato com o investigado, mas não teve retorno. Qualquer resposta recebida será incorporada à cobertura.

spot_img

Últimas publicações