quarta-feira, 4, novembro, 2026

Duas favelas de Salvador estão entre as 11 mais populosas do Brasil, aponta IBGE

 

Duas comunidades de Salvador estão entre as favelas mais populosas do Brasil. Beiru/Tancredo Neves e Pernambués ocupam, respectivamente, a 10ª e a 11ª posição no ranking nacional, segundo dados do Censo Demográfico 2022, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira (03).

Com 38.871 habitantes, Beiru/Tancredo Neves é a favela mais populosa da Bahia. Já Pernambués aparece na sequência, com 35.110 moradores.

De acordo com o IBGE, são classificadas como favelas as localidades onde predominam domicílios com insegurança jurídica da posse e que apresentam pelo menos uma característica de precariedade urbana. Entre elas estão a deficiência de serviços públicos, a falta de infraestrutura adequada e a ocupação de áreas não permitidas pela legislação.

 

Salvador concentra as cinco maiores favelas da Bahia

O levantamento mostra que as cinco favelas mais populosas da Bahia estão localizadas em Salvador. Além de Beiru/Tancredo Neves e Pernambués, o ranking estadual inclui:

 

Valéria: 21.635 moradores;

Bairro da Paz: 20.509 moradores;

Santa Cruz: 19.833 moradores.

Fora da capital, a maior favela baiana é Teotônio Vilela, em Ilhéus, que contabilizou 12.788 habitantes no Censo de 2022.

Ao todo, a Bahia possui 572 favelas, o equivalente a 4,6% das 12.348 identificadas em todo o país. O estado ocupa a oitava posição nacional em quantidade dessas localidades.

Dos 417 municípios baianos, 28 registraram a presença de favelas. Salvador concentra 262 delas, o equivalente a 45,8% do total estadual. Com esse número, a capital baiana aparece como a quinta cidade brasileira com maior quantidade de comunidades desse tipo.

Depois de Salvador, os municípios com mais favelas na Bahia são Feira de Santana (49), Camaçari (47), Lauro de Freitas (35) e Itabuna (34).

 

Mais de 1,3 milhão de baianos vivem em favelas

O Censo 2022 identificou aproximadamente 1,37 milhão de pessoas vivendo em favelas na Bahia. O número representa 9,7% da população estadual e coloca o território baiano na quarta posição entre os estados brasileiros com maior população residente nessas áreas.

Salvador concentra a maior parcela desse contingente. Na capital, 1.033.258 pessoas vivem em favelas, o equivalente a 42,7% da população municipal. Na prática, mais de quatro em cada dez moradores da cidade residem nesses territórios.

 

Depois de Salvador, os municípios baianos com maior população em favelas são:

Ilhéus: 64.364 moradores;

Camaçari: 54.526 moradores;

Feira de Santana: 44.699 moradores;

Lauro de Freitas: 42.079 moradores.

Mulheres e população negra são maioria nas favelas baianas

Os dados do IBGE também revelam diferenças no perfil demográfico dos moradores de favelas em comparação com o conjunto da população da Bahia.

As mulheres representam 53,4% dos habitantes dessas comunidades, percentual superior ao registrado na população estadual, de 51,7%.

Em relação à faixa etária, a participação de idosos é menor nas favelas. Pessoas com 60 anos ou mais correspondem a 12,7% dos moradores, enquanto, no conjunto da Bahia, esse grupo representa 15,3%.

Outro destaque é a composição racial. Nas favelas baianas, 39,2% dos moradores se autodeclaram pretos. O percentual é quase o dobro do observado na população geral do estado, onde corresponde a 22,4%.

 

Censo aponta desigualdade na infraestrutura urbana

O levantamento também evidencia diferenças significativas nas condições de infraestrutura entre as áreas de favelas e os demais territórios urbanos da Bahia.

Um dos principais problemas identificados é a falta de calçadas. Apenas 40,1% dos moradores de favelas vivem em ruas que possuem calçadas ou passeios. Fora dessas comunidades, o índice chega a 78,8%.

A arborização também apresenta uma diferença expressiva. Nas favelas, 74,5% dos moradores vivem em ruas sem árvores. Nas demais áreas urbanas, o percentual cai para 51,8%.

A acessibilidade é outro ponto de atenção. Apenas 1,5% dos moradores de favelas residem em vias com rampas para cadeirantes. Fora dessas localidades, a proporção é de 10,9%.

Os números mostram que, além da concentração populacional, as favelas baianas enfrentam desafios relacionados à infraestrutura, acessibilidade e oferta de serviços urbanos.

spot_img

Últimas publicações